sexta-feira, 18 de março de 2016

A Corrupção na Sociedade Brasileira




A Corrupção na Sociedade Brasileira
Nildo Viana

No Brasil, é muito comum haver pessoas lamentando a existência de corrupção e outros dizerem que ela é a culpada dos problemas nacionais. Porém, no fundo, existe uma certa percepção da corrupção generalizada existente na política institucional (e para além dela). O Brasil sempre esteve envolto em denúncias, escândalos, processos, por corrupção. O acontecimento mais marcante foi o do impeachment do Governo Collor por corrupção, o presidente eleito cujo um dos seus lemas era “caçar os marajás” e acabar com a corrupção. Por isso é necessário entender melhor a corrupção. O que é a corrupção? Quais são suas consequências? O que gera a corrupção? É possível acabar com a corrupção? Se sim, quais são as condições para a abolição da corrupção?

A primeira questão é entender que a corrupção é um fenômeno social, é uma relação social, típica da sociedade capitalista. Apesar de ter existido sob formas diferentes em outras sociedades, é no capitalismo que ela se torna um elemento estrutural de uma sociedade. A corrupção, no seu sentido mais geral, é uma relação caracterizada pela decomposição e deterioração de algo, onde alguém (indivíduo ou grupo) corrompe algo, prejudicando outro (indivíduo ou grupo). Assim, corromper algo significa desvirtuá-lo, destruí-lo. O que foi corrompido está apodrecido, deteriorado. Logo, a corrupção é uma relação social na qual alguns indivíduos ou grupos corrompem algo e cujo resultado é prejudicar outros indivíduos ou grupos.

A corrupção pode ser moral, financeira, política, etc. A corrupção financeira é a mais discutida e praticada na sociedade brasileira (e no mundo). O que significa corrupção financeira? Na sociedade capitalista, existem regras jurídicas que normatizam as relações financeiras (legislação, contratos, regimentos, etc.), bem como uma moral a respeito de como elas devem ser. Dentro desse processo, no aparato estatal, existem regras para o uso dos recursos financeiros (a renda estatal), bem como uma moral que afirma que o estatal é “público” e por isso não pode ser apropriado privadamente. A corrupção financeira é quando se passa por cima das normas jurídicas e da moral existente. Assim, se um governador desvia verba para seus parentes ou para alguém que repassa para sua conta na Suíça (o paraíso da corrupção socialdemocrata), isso é corrupção.

Trata-se de uma corrupção financeira, mas que junto dela vem uma corrupção moral, já que essa foi corrompida por não ser respeitada, especialmente no caso dos corruptos que podem até rir dela, deixando a crença nela para os eleitores ingênuos. É, ao mesmo tempo, uma corrupção política, pois o corrupto, nesse caso, é um político que deveria seguir determinadas regras jurídicas e preceitos morais que simplesmente desconsidera.

Nesse caso, observamos que a corrupção é geralmente realizada por quem detém o poder (estatal ou financeiro, que sempre andam juntos). Mas se algo é corrompido, é para vantagens de uns e desvantagens e prejuízos de outros. Quem perde com a corrupção? Certamente não são os corruptos, pois estes são os que ganham. Se se trata, como é o caso aqui abordado, de “dinheiro público”, então quem perde é o público que assiste sobre a corrupção na televisão, ou melhor, a maioria da população. E como ela é prejudicada?

O aparato estatal não pode produzir dinheiro do nada, por mais que alguns pensem isso, ele deve arrecadar aquilo que consiste em sua receita, sua renda. O Estado, no capitalismo, está submetido às relações de distribuição capitalistas, chamadas de “regras do mercado”. Tudo é mercadoria no capitalismo e por isso tudo que o aparato estatal for fazer, ele deve adquirir através de dinheiro. Se o aparato estatal quiser construir uma escola, deve comprar o terreno, pagar uma empreiteira (...), comprar as carteiras e mobiliário em geral, etc. Assim, os prédios governamentais, as escolas e universidades, hospitais estatais, etc. só existem por drenar parte da renda estatal.

O aparato estatal tem também que pagar os salários de todos os seus funcionários, desde o mais alto burocrata (com seus altos salários, que eles mesmos os aumentam, uma corrupção moral, mesmo não sendo ilegal) até o mais humilde subalterno, funcionário da limpeza. A imensa máquina estatal, com seu aparato jurídico (e altos salários), aparato repressivo (exército e polícia), burocracia governamental (federal, estadual, municipal), aparato legislativo, etc. Também deve realizar políticas estatais em diversas áreas, desde a assistência social até a criação de infraestrutura para o desenvolvimento da acumulação capitalista (estradas, meios de comunicação, energia elétrica, estrutura urbana, etc.).

Estas são as despesas estatais e para tudo isso é necessário dinheiro. Ele não pode mandar o banco central produzir dinheiro ao bel prazer. Por isso ele precisa arrecadar tal dinheiro. A sua principal forma de arrecadação vem dos impostos. Secundariamente, vem de taxas, lucro (das empresas estatais, tal como a Petrobrás...), doações, juros de empréstimos, etc. E, quando as despesas são maiores do que a receita, ocorre a dívida pública (interna ou externa). Existem inúmeros tipos de impostos, que inclusive encarecem demasiadamente o preço das mercadorias. Qualquer mercadoria comprada tem imposto embutido, bem como há imposto sobre quase tudo e muitos descontados “na fonte”, tal como no caso dos salários.

Assim, no aparato estatal há uma circulação enorme de dinheiro. A corrupção drena grande parte da renda estatal, pois está espalhada por todos os lugares (prefeituras, governos estaduais, governo federal, instituições estatais, etc.). Seria ingenuidade pensar que isso só ocorre no Brasil. No fundo, isso ocorre em todos os países capitalistas (incluindo o vulgo “socialismo real”, que não passa de um capitalismo de Estado). A diferença é de grau e de visibilidade. Na sociedade brasileira, os políticos profissionais desenvolveram o hábito de ficar denunciando a corrupção alheia para ganhar votos, combater os inimigos políticos, etc. Assim, na sociedade brasileira, o acordo tácito entre os políticos profissionais de cada um fazer a sua corrupção e deixar a do outro para lá nem sempre é respeitada[1]. A visibilidade da corrupção aqui é bem maior, bem como hipoteticamente podemos pensar que seu grau também deve ser mais elevado.

Um país com alto grau de corrupção, obviamente terá um desenvolvimento capitalista (“crescimento econômico”) prejudicado, o que afeta a maioria da população e até mesmo o governo, que vê a diminuição dos impostos e perda de popularidade (e com acusação de corrupção ameaça a cair no abismo). Da mesma forma, as políticas de assistência social, as políticas educacionais e de saúde, também serão atingidas. Se em tempos de neoliberalismo há corte dos gastos estatais, com um elevado grau de corrupção, os chamados “serviços públicos” se tornam cada vez mais precarizados. Novamente é a maioria da população que vai sofrer as consequências disto, pois a precarização do que já é precário é algo insuportável.

Assim, após a análise do que é a corrupção e suas consequências, é fundamental entender o que gera a corrupção. A sociedade capitalista é uma sociedade que mercantiliza tudo, gerando também a burocratização e a competição social desenfreada. Ninguém vive no capitalismo sem dinheiro, pois alimentos, roupas, habitação e tudo o mais devem ser comprados por serem mercadorias. Assim, todo mundo deve ganhar dinheiro para sobreviver. A forma clássica, como Marx já havia colocado, é vendendo a força de trabalho em troca de um salário. As formas imorais e ilegais, como mendicância, roubo, prostituição, são para quem não consegue vender sua força de trabalho. A corrupção é uma forma de adquirir dinheiro, também ilegal e imoral, mas os trabalhadores e empobrecidos não realizam corrupção, pois ela só existe onde há muito dinheiro, ou seja, nas organizações burocráticas, grandes empresas, Estado. Os corruptos se encontram nas classes privilegiadas e por isso não é, como é para os trabalhadores, um meio de sobrevivência. É um meio de enriquecimento e aquisição de poder.

E por qual motivo pessoas com altos salários e que não necessitam realizam corrupção? Ora, a corrupção ocorre mais frequentemente e intensamente nas grandes organizações burocráticas e mais especialmente no aparato estatal. É onde há grande circulação de dinheiro que ela é mais frequente e elevada. Mas não é a mera circulação de dinheiro que gera a corrupção. No fundo, essa sociedade que faz do mercado, do dinheiro e da riqueza um valor fundamental (acima de outros valores), assim como o poder (cargos burocráticos), e a competição social (por ascensão social, riqueza, poder, fama, status, etc.) cria uma mentalidade burguesa. Para a mentalidade burguesa, ganhar a competição acima de tudo é o seu mote. Para isso, pouco interessa os meios. A lógica do corrupto é a mesma do ladrão, com a diferença que esse, em alguns casos, ainda une a mentalidade burguesa com a necessidade real, por falta de dinheiro. A sociabilidade capitalista (mercantilização, burocratização e competição) gera a mentalidade burguesa. Essa mentalidade burguesa não é, pois, algo inato. Ela é constituída socialmente. Há algum tempo atrás, havia uma campanha contra o governador de Goiás, cuja palavra de ordem era “Fora Marconi!”. Em um breve artigo foi exemplificado esse processo de transformação do indivíduo em corrupto:

O governo Marconi Perillo, sem dúvida, realizou abuso de poder e certamente realizou outros elementos apresentados acima [...] como sendo corrupção, acrescentando a financeira. Logo, é possível dizer que Marconi Perillo e seu governo estão envolvidos em atos de corrupção. O que não é possível dizer é que ele é o culpado, pois isso vai muito além deste indivíduo, por mais que ele tenha poder. Ele não estava sozinho, milhares de outras pessoas estão envolvidas e fizeram o mesmo. Ninguém governa ou faz corrupção no governo sozinho. O pequeno bebê chamado Marconi, quando nasceu, não era corrupto. Era tão-somente uma criança inocente e assim permaneceu por algum tempo, até ir sendo socializado, tendo sua mente e valores formados por esta sociedade, sendo envolvido em relações sociais e tendo um conjunto de pessoas ao seu lado e com as mesmas tendências. Ele se tornou corrupto. E por qual motivo se tornou corrupto? Por que a mentalidade dominante em nossa sociedade é a burguesa, a que supervalora o dinheiro, o poder, o status, etc. Ele foi formado, como tantos outros indivíduos, nessa sociedade e para essa sociedade. As suas ações e concepções não são criações fantásticas criadas por um indivíduo criativo, autônomo, livre. Se o bebê Marconi tivesse nascido na tribo Ianomâmi, não teria se tornado corrupto[2].
Assim, na sociedade competitiva onde a corrida pelo ouro (dinheiro) e pelo poder (burocracia) é o que manda, os indivíduos vão sendo formados para quere r ganhar a qualquer custo. É a “lei de Gérson”: “é preciso ter vantagem em tudo, certo?”. O ex-jogador de futebol que ficou nos anos 1970 em uma propaganda de cigarro por dizer essa frase disse algo mais profundo que ele, ou melhor, o publicitário que criou a frase, imaginava[3].

Isto está presente no processo socialização na família, na escola, nos meios de comunicação. Os desenhos animados, os filmes, os esportes, a arte e a vida cotidiana como um todo manifesta isso. Os indivíduos introjetam tais relações sociais em sua mente. Isso cria representações que naturalizam e eternizam isso (como se fosse da “natureza humana”) essas relações, surgem ideologias científicas e filosóficas que fazem o mesmo. A mentalidade dominante é produzida por essas relações sociais e ao mesmo tempo as reforça. Essas relações sociais não só geram essa mentalidade como pressiona e cria uma aparência de verdade para ela.

Os valores humanos autênticos, como liberdade, criatividade, solidariedade, verdade, etc., são secundarizados ou mesmo abolidos em favor dos valores dominantes. O processo de socialização (família, escola, meios oligopolistas de comunicação, produções artísticas, etc.) reproduz e reforça tais valores e sociabilidade. Logo, os indivíduos das classes privilegiadas (por origem ou por ascensão) geralmente carregam consigo estes valores e uma vez aquartelados em grandes organizações ou no aparato estatal, com situação propícia para realizar a corrupção e, por conseguinte, ganhar a competição, não deixarão de fazê-lo. Aqueles que são políticos profissionais e não aderem à corrupção, geralmente abandonam a carreira, são marginalizados, etc.

Restam duas questões para serem respondidas. É possível acabar com a corrupção? Quais são as condições para a abolição da corrupção? Essas questões são fundamentais na sociedade brasileira atual, mais uma vez atolada em denúncias e provas de corrupção de todos os lados e envolvendo a todos, inclusive alguns ameaçando levar os outros consigo se for preso. Assim, desde os escândalos de corrupção no governo de Fernando Henrique Cardoso, passando pelo mensalão no Governo Lula, até os mais recentes casos, em governos estaduais e federal, chegando ao Governo Dilma, com o caso da Petrobrás e que vai muito além disso, envolvendo nomes inesperados (como o de Fernando Collor de Melo – isso é uma ironia, que fique claro), Luís Inácio Lula da Silva, Eduardo Cunha e milhares de outras figuras famosas. Portanto, discutir o fim da corrupção é algo urgente na sociedade brasileira.

As soluções mais famosas nada solucionam. De nada adiante trocar um corrupto por outro. Sai Collor, entra Sarney. Sai Dilma, entra Temer. Tanto faz quem é o corrupto. A questão difícil é que a corrupção não é produto de um indivíduo e sim de relações sociais concretas no aparato estatal e por isso a solução da troca de indivíduos nos cargos é ilusória. Mas é preciso esclarecer que dizer que a corrupção não é produto de um indivíduo não significa dizer que ele é inocente ou nada tenha a ver com a corrupção. O indivíduo que realiza corrupção é responsável pela corrupção que ele fez. Logo, ele deve ser responsabilizado, mas isso não é suficiente para superar a corrupção, é preciso algo mais de que depor e prender os corruptos, pois a corrupção vai se reproduzir sem eles, gerando novos corruptos. Nesse sentido, “fora Dilma”, “fora Collor” não é suficiente. É preciso algo muito mais profundo para abolir a corrupção.

A intervenção ou ditadura militar é outra solução famosa que nada resolve. Os regimes militares são tão ou mais corruptos que os que eles sucedem. Não há fiscalização, há censura, oposição é crime, etc. A visibilidade da corrupção é menor. Nenhuma intervenção ou regime militar abole a corrupção, apenas muda os corruptos e a diminui sua visibilidade. Por conseguinte, essa é outra falsa solução e que é apenas uma versão autoritária da primeira, pois significa, no fundo, apenas a troca de corruptos.

A corrupção é comum e generalizada, mas, como já foi dito antes e a conjuntura faz repetir, não é universal, natural e eterna[4]. Os valores dominantes são dominantes, mas não são consensuais e gerais. Existem valores opostos. Da mesma forma, existem os prejudicados pela corrupção, a maioria da população. Por isso existe a necessidade de superar a corrupção e pessoas querendo tal superação. Existem também inúmeros outros problemas sociais, políticos, financeiros. Não é possível reduzir os problemas da sociedade brasileira à questão da corrupção, embora ela seja grave e no atual contexto de importância fundamental. Isso quer dizer que existem pessoas contra a corrupção, valores opostos, indignação, milhares de indivíduos prejudicados, alguns em situação precária de vida. A corrupção no atual contexto está atingindo a capacidade do governo de governar e atuar sobre as questões sociais, políticas e financeiras, bem como está também gerando efeitos financeiros que podem se tornar desastrosos. A solução definitiva, a única forma de abolir a corrupção, aponta para a superação do capitalismo, como já foi dito antes:

Para abolir a corrupção e os corruptos, é necessária uma transformação social radical, uma alteração não em quem está no governo, ou mesmo na forma de governo. A troca de indivíduos no poder nada resolve, nem a troca de grupos inteiros. Da mesma forma, mudar a forma de governo, seja mudança mais moderada ou mais radical (presidencialismo ou parlamentarismo, ou monarquia, ou ditadura...) nada altera nesse quadro. A mudança necessária passa pela alteração da relação entre sociedade civil e Estado e na própria esfera da sociedade civil. O Estado não passa de uma “excrescência parasitária” (Marx), um produto da sociedade civil que busca se autonomizar, gera seus próprios interesses, cria uma burocracia estatal numerosa e com o interesse de se autoperpetuar e ampliar quantitativamente. Ele não produz nada e suga da sociedade civil as riquezas produzidas pela classe trabalhadora e ainda serve aos interesses da classe dominante. Logo, esta excrescência parasitária deve deixar de existir e em seu lugar a própria população se autogovernar. Para isso acontecer, é necessária uma transformação radical no conjunto das relações sociais, na própria sociedade civil, instaurando um novo modo de produção, nova sociabilidade, nova mentalidade. Em poucas palavras, isso seria uma revolução social que instauraria a autogestão social[5].
Para concretizar isso, serão necessárias muitas lutas e processo de ampliação da consciência e da auto-organização da população. Nessas lutas, há um avanço geral, no sentido de desenvolvimento da consciência, fortalecimento de valores autênticos, experiências organizativas (não-burocráticas), etc. Esse processo de luta pela transformação radical da sociedade deve ser acompanhado pela compreensão e luta no interior da sociedade atual, no sentido de criar as bases para tal. A superação da corrupção pressupõe a superação do capitalismo. A luta contra o capitalismo é, ao mesmo tempo, luta contra as bases reais e concretas da corrupção.

Esse processo pressupõe retomar a linha iniciada com as manifestações populares de 2013. Não se trata de fazer manifestações e sim da efervescência de politização e envolvimento da população nas questões sociais e políticas e na superação do conformismo e passividade. Nesse processo, podem ocorrer manifestações, mas elas não podem ser a forma principal de ação, pois além de mais fáceis de repressão e desvio (por forças conservadoras que podem querer manipular a população e parte dela é relativamente sensível nesse caso). O fundamental é criar formas de auto-organização nos locais de trabalho, moradia e estudo, bem como articulando essas formas de organização, tal como nas experiências históricas que fizeram emergir os conselhos (operários, de fábrica, de bairros, etc.), gerando uma união nacional com força suficiente para realizar a transformação social radical. Juntamente com isso, é fundamental desencadear processos de politização e desenvolvimento da consciência, desde as iniciativas mais simples como grupos de estudos e discussão, ampliação da divulgação de ideias, socialização do saber, desenvolvimento da leitura e reflexão, usando inclusive as redes sociais na internet (que, de acordo com os interesses do poder serve mais para a “diversão” e discussões superficiais, bem como para o desencadeamento de moralismos e transformação do secundário em fundamental), a propaganda generalizada, a produção de textos por parte da própria população, entre outras formas.

Isso significa uma ampla luta cultural para reverter o conservadorismo dominante e superação das correntes predominantes de opinião que reproduzem, por um lado, o liberalismo ou semifascismo, ou, por outro, a pseudoesquerda culturalista e comportamentalista que realiza um processo de divisão na população ao invés de união, a única forma de luta eficaz e poderosa contra o capitalismo e seus aparatos de reprodução.

Retomar o espírito das manifestações populares de 2013, desvirtuado pela ilusão eleitoral, copa do mundo e outros circos sem pão, é o ponto de partida para a superação da corrupção e da crise sem precedentes que bate à porta da sociedade brasileira. A quem interessa essa transformação radical da totalidade da sociedade? Interessa a todos os seres humanos, pois proporciona a emancipação humana universal. Logo, é uma luta de todos, inclusive aqueles que se apegam a essa sociedade por causa das migalhas que ela deixa cair das mesas da classe dominante (tal como bens de consumo que, no fundo, não trazem nenhuma felicidade, e por isso geralmente são acompanhados dos remédios e tranquilizantes, para suportar o insuportável).

É um interesse mais premente ainda dos trabalhadores em geral, pois estes, como já dizia Marx, só tem seus grilhões para perder e um mundo novo a conquistar. Romper com as correntes e prisões que nos prendem e conquistar a liberdade, ideia que amedronta muitos, mas é preciso superar o medo da liberdade e da felicidade, pois elas andam juntas. Um indivíduo que passou a vida inteira preso numa caverna, ao ser libertado, pode preferir o “conforto” e “segurança” de sua prisão, por mais miserável e degradante que seja sua vida, à liberdade e domínio sobre o seu destino. Isso acontece por que a liberdade se aprende com o seu exercício e por isso não deve ser temida, principalmente quando se trata de liberdade coletiva, na qual através da solidariedade todos são livres e se ajudam no caminho da libertação.

Assim, a decisão racional é se libertar da prisão e lutar pela liberdade e os medos irracionais são um dos obstáculos que precisam ser superados para isso ocorrer. Prisão ou liberdade? A prisão mental é a primeira que deve ser derrubada, pois só assim a prisão real poderá ser demolida e em seu lugar brotar a libertação mental que permite a libertação real.






[1] Algumas pessoas podem achar isso exagerado. No entanto, isso é visível até em outros lugares nos quais o dinheiro e o poder é bem menor, pois faz parte da vida cotidiana das organizações burocráticas. O acordo tácito é aquele no qual sem haver nada explícito, há um costume e uma expectativa de “sigilo” sobre as tramoias e pequenas corrupções cotidianas. Isso está presente nos pequenos partidos, movimentos sociais, nas universidades, em todos os lugares. A corrupção está mais presente e perto do que se pensa e muitos se silenciam apesar de não participar da mesma, por medo de represálias, por covardia, por não surtir efeito e ainda ser possivelmente prejudicado, por falta de provas, etc.

[3] A discussão sobre esses processos podem ser melhor compreendidos através da leitura de algumas obras, tais como O Universo Psíquico e a Reprodução do Capital (VIANA, 2008); Os Valores na Sociedade Moderna (VIANA, 2007). Nessas obras existe uma ampla bibliografia que traz um grande material para entender a sociabilidade, mentalidade e valores dominantes em nossa sociedade.

[5] http://informecritica.blogspot.com.br/2012/05/as-raizes-sociais-da-corrupcao-e-o-fora.html


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Para recordar:

E Agora Eleitor?
http://informecritica.blogspot.com.br/2014/10/e-agora-eleitor.html

Psicanálise da Ilusão Eleitoral 01: O Desejo Reificado
http://informecritica.blogspot.com.br/2014/10/psicanalise-da-ilusao-eleitoral-01-o.html

Psicanálise da Ilusão Eleitoral 02: A Manipulação do Medo
http://informecritica.blogspot.com.br/2014/10/psicanalise-dailusao-eleitoral-02.html

Psicanálise da Ilusão Eleitoral 03: A Alienação Generalizada
http://informecritica.blogspot.com.br/2014/10/psicanalise-dailusao-eleitoral-03.html

Eleições: Desejos, Ilusões e Transformação
http://informecritica.blogspot.com.br/2014/10/eleicoes-desejos-ilusoes-e-transformacao.html

Eleições, Interesses e Racionalização
http://informecritica.blogspot.com.br/2014/10/eleicoes-interesses-e-racionalizacao.html

Artigos para compreender as Eleições:
http://informecritica.blogspot.com.br/2014/10/artigos-para-compreender-as-eleicoes.html


Algumas notícias sobre as denúncias de corrupção mais recentes (Lava jato, Petrobrás, etc.):

Envolvimento de Collor:
http://g1.globo.com/politica/operacao-lava-jato/noticia/2015/07/collor-recebeu-em-maos-dinheiro-de-corrupcao-dizem-delatores.html

Envolvimento de Dilma Roussef:
http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/citacao-a-dilma-na-lava-jato-surpreendeu-governo

Envolvimento da Andrade Gutierrez:
http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2015/07/policia-federal-indicia-presidente-da-andrade-gutierrez-e-mais-8-pessoas.html

Envolvimento de Youssef e PP:
http://g1.globo.com/politica/operacao-lava-jato/noticia/2015/07/pf-identificou-depositos-de-posto-usado-por-youssef-para-lider-do-pp.html

Envolvimento da Odebrecht:
http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2015/07/pf-deve-concluir-inquerito-sem-ouvir-suspeitos-da-odebrecht-na-lava-jato.html

Envolvimento de Lula:
http://brasil.elpais.com/brasil/2015/06/20/politica/1434759084_789881.html

Envolvimento de Eduardo Cunha:
http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/mp-quer-que-stf-investigue-eduardo-cunha-por-corrupcao

Mais:

Empreiteiras, Lula e Dilma:
http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/empreiteiras-querem-levar-lula-e-dilma-a-roda-da-justica/

Cunha e Dilma:
http://brasil.elpais.com/brasil/2015/07/17/politica/1437145574_034316.html

Corrupção na Petrobrás e FHC:
http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,cunha-atribui-corrupcao-na-petrobras-a-decreto-da-era-fhc,1652314

Resumo da ópera: "Operação Lava jato" (o último escândalo sobre corrupção):
(Fonte: Wikipedia: https://pt.wikipedia.org/wiki/Opera%C3%A7%C3%A3o_Lava_Jato)

Operação Lava Jatonota 1 é o nome de uma investigação realizada pela Polícia Federal do Brasil, cuja deflagração da fase ostensiva foi iniciada em 17 de março de 20143 , com o cumprimento de mais de uma centena de mandados de busca e apreensão, prisões temporária, preventivas e conduções coercitivas, tendo como objetivo apurar um esquema de lavagem de dinheiro suspeito de movimentar mais de dez bilhões de reais. É considerado pela Polícia Federal, como a maior investigação de corrupção da história do País.5
A operação recebeu esse nome devido ao uso de uma rede de lavanderias e postos de combustíveis pela quadrilha para movimentar os valores de origem ilícita6 , supostamente, desde 1997.7 A denuncia inicial partiu do empresário Hermes Magnus, em 2008, quando o grupo de acusados tentou lavar dinheiro na sua empresa Dunel Indústria e Comércio, fabricante de máquinas e equipamentos para certificação. A partir da denúncia inicial, foram empreendidas diligências investigativas que culminaram com a identificação de quatro grandes grupos criminosos, chefiados por Carlos Habib Chater, Alberto Youssef, Nelma Mitsue Penasso Kodama e Raul Henrique Srour.
No curso da investigação identificou-se ainda que o doleiro Alberto Youssef havia adquirido um veículo Land Rover Evoque para Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras. Foram ainda colhidos indícios iniciais de pagamentos indevidos realizados por empresas vencedoras de contratos na RNEST (Refinaria Abreu e Lima) para o doleiro Alberto Youssef. Até abril de 2014, a operação já contava com 46 pessoas indiciadas pelos crimes de formação de organização criminosa, crimes contra o sistema financeiro nacional, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro8 e trinta pessoas presas,9 dentre elas o doleiro Youssef e o ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa.10 Em junho de 2014, o ex-diretor negou participação no esquema criminoso,11 porém, após a Polícia Federal realizar buscas em empresas da esposa, filhas e genros e encontrar indícios que incriminavam a ele e toda sua família12 , Paulo Roberto Costa decidiu colaborar com o Ministério Público Federal valendo-se do recurso da delação premiada, podendo obter dessa forma a redução de sua pena e a possibilidade de cumprimento da mesma em regime domiciliar e o pagamento de uma multa.13
Em janeiro de 2015, o Ministério Público Federal lançou um portal que reúne uma série de informações, como número de pessoas sob investigação, quantidade de procedimentos instaurados e a íntegra das denúncias apresentadas pelo MPF.3 A página foi produzida pela força-tarefa que cuida da Operação, em parceria com a Secretaria de Comunicação da Procuradoria-Geral da República (PGR)14 .

Fases[editar | editar código-fonte]

Primeira fase[editar | editar código-fonte]

Em 17 de março de 2014, a Polícia Federal iniciou esta fase com prisões temporárias e preventivas de 17 pessoas em 7 estados, entre elas o doleiro Youssef. Foram apreendidos R$5 milhões em dinheiro e 25 carros de luxo, joias, quadros e armas.15

Segunda fase[editar | editar código-fonte]

Em 20 de março de 2014, a Polícia Federal cumpre 6 mandados de busca e 1 de prisão temporária. Paulo Roberto Costa é preso.16

Terceira fase[editar | editar código-fonte]

Em 11 de abril de 2014, a Polícia Federal cumpre 16 mandados de busca, 3 de prisões temporárias e 6 de conduções coercitivas. Argôlo é acusado de manter relacionamento de promiscuidade financeira com Youssef.17

Quarta fase[editar | editar código-fonte]

Em 11 de junho de 2014, a Polícia Federal cumpre 1 mandado de busca e 1 mandato de prisão preventiva. Paulo Roberto Costa é preso novamente.18

Quinta fase[editar | editar código-fonte]

Polícia Federal cumpre 7 mandados de busca, 1 mandato de prisão temporária e 1 de condução coercitiva. O executivo João Procópio Junqueira Pacheco de Almeida Prado é preso dia 01 de julho de 2014 em São Paulo, por gerenciar na Suíça contas do doleiro Youssef. Foram bloqueados R$5 milhões em contas na Suíça.19

Sexta fase[editar | editar código-fonte]

Polícia Federal cumpre no Rio de Janeiro 15 mandados de busca e apreensão e um de condução coercitiva. Esses mandados visaram empresas e pessoas próximas ao ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa.20

Sétima fase[editar | editar código-fonte]

Polícia Federal cumpre 49 mandados de busca, 6 de prisão preventiva e 21 de prisão temporária, sendo presos os presidentes e diretores de grandes empresas doBrasil, como OAS, IESA Óleo & Gás, Camargo Corrêa Construções, UTC Engenharia e Construtora Queiroz e Galvão.21

Oitava fase[editar | editar código-fonte]

Em 14 de janeiro de 2015 a Polícia Federal cumpriu um mandado de prisão preventiva contra Nestor Cerveró, acusado de estar se desfazendo de patrimônio que poderia ter sido auferido ilicitamente. Cerveró foi detido ao desembarcar no aeroporto internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro.22

Nona fase[editar | editar código-fonte]

Em 5 de fevereiro de 2015 a Polícia Federal desencadeia nova fase ostensiva da Operação Lava-Jato, com nome de My Way, cumpriu de 62 mandados de busca e apreensão, prisões temporárias e preventivas e conduções coercitivas, em quatro estados da Federação, para colher elementos de investigação acerca de operadores que atuaram na intermediação no pagamento de vantagens ilícitas no âmbito da Petrobras.
Foram ainda colhidos indícios sobre o pagamento de vantagens ilícitas no âmbito da BR DISTRIBUIDORA, subsidiária da Petrobras.
Durante essa fase foram apreendidas na casa de Zwi Skornicki quarenta e oito obras de arte que foram levadas para o Museu Oscar Niemeyer. Zwi Skornicki é apontado como um dos operadores do esquema de corrupção.23

Décima fase[editar | editar código-fonte]

A décima fase da operação ocorreu no dia 16 de março de 2015, contando com cerca de 40 policiais federais cumprindo 18 mandados no Rio de Janeiro e em São Paulo. Essa fase foi denominada de "Que país é esse?", em razão da frase dita por Renato Duque ao seu advogado ao ser preso pela Policia Federal em novembro de 2014.24
No dia 27 de março de 2015, a Polícia Federal prendeu em São Paulo , o empresário Dário Queiroz Galvão, sócio da Galvão Engenharia. No Rio de Janeiro foi preso o operador Guilherme Esteves de Jesus, um dos operadores investigados na My Way (9ª fase da Lava Jato), por pagar propina a mando do estaleiro Jurong. Os dois foram alvos de mandados de prisão preventiva, sem prazo para expirar e foram levados para a sede da Policia Federal em Curitiba.25
No dia 8 de abril de 2015, a justiça sequestrou R$163,5 milhões da empresa Queiroz Galvão, valor referente ao crédito de precatórios da empreiteira junto ao estado de Alagoas.26

Décima primeira fase[editar | editar código-fonte]

Em 10 de abril de 2015, a Polícia Federal deu início a uma nova fase denominada de "A Origem", cumprindo 32 mandados, sendo 7 de prisão, 16 de busca e apreensão e 9 de condução coercitiva. Esta fase teve operações em seis estados: Paraná, Bahia, Ceará, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo. Foram presos nesta fase: o ex-deputado André Vargas, Leon Vargas (irmão de André Vargas), o ex-deputado Luiz Argolo, Élia Santos da Hora (secretária de Argôlo), o ex-deputado Pedro Corrêa, Ivan Mernon da Silva Torres e Ricardo Hoffmann.27

Décima segunda fase[editar | editar código-fonte]

Em 15 de abril de 2015, a Polícia Federal deu inicio a uma nova fase com dois mandados de prisão, um de condução coercitiva e um de busca e apreensão em São Paulo. João Vaccari Neto, tesoureiro do PT, foi preso. A cunhanda de Vaccari, Marice Correa de Lima ficou foragida até 17 de abril de 201528 , e se entregou a policia.29 A esposa de Vaccari, Gisela Lima, teve o mandado de condução coercitiva, sendo liberada após depoimento.30 A Polícia Federal encaminhou em 11 de maio de 2015 ao MPF, 30 indiciamentos contra 22 pessoas, investigadas na 11º fase da operação Lava Jato, denominada "Origem", para apurar crimes de corrupção, fraude a licitações, lavagem de dinheiro e organização criminosa, entre outros.31

Décima terceira fase[editar | editar código-fonte]

Em 21 de maio de 2015, a Polícia Federal cumpriu a 13º fase da Operação Lava Jato nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Foram cumpridos um mandado de prisão (Milton Pascowitch), um de condução coercitiva e 4 de busca e apreensão. Os mandados de busca e apreensão em São Paulo foram feitos na casa de José Adolfo Pascowitch, irmão de Milton Pascowitch. Os outros dois foram feitos um no Rio de Janeiro e outro em Minas Gerais. De acordo com o MPF, a empresa JD Consultoria, de José Dirceu, recebeu mais de R$1,4 milhões em pagamento da Jamp Egenheiros Associados Ltda, empresa que pertence a Milton Pascowitch.32

Décima quarta fase[editar | editar código-fonte]

Em 19 de junho de 2015, a Polícia Federal deflagrou a 14º fase da Operação Lava Jato, com nome "Erga Omnes", expressão em latim "vale para todos". Os alvos foram as empreiteiras Ordebrecht e Andrade Gutierrez. Foram presos na operação os presidentes da Ordebrecht, Marcelo Ordebrecht e da Andrade Gutierrez, Otávio Azevedo. Também foram presos os diretores da Ordebrecht Marcio Faria, Rogério Araújo e Alexandrino Alencar. Foram cumpridos 38 mandados de busca, 8 de prisão preventiva, 4 de prisão temporária e 9 de condução coercitiva. Os mandados judiciais foram cumpridos em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Porto Alegre33

Décima quinta fase[editar | editar código-fonte]

Em 2 de julho de 2015, a Polícia Federal deflagrou a 15ª fase da Operação Lava Jato, batizada de "Conexão Mônaco", cumprindo ao todo cinco mandados judiciais, sendo quatro de busca e apreensão e um de prisão preventiva. Foi detido na cidade do Rio de Janeiro e encaminhado à carceragem em Curitiba, o ex-diretor da área internacional da Petrobras, Jorge Luiz Zelada, em razão da movimentação no Principado de Mônaco, de mais de €10 milhões (R$34,5 milhões, na cotação do dia da prisão) em recursos ilícitos obtidos em propinas nos negócios da empresa. Zelada havia sido citado anteriormente por dois delatores, Paulo Roberto Costa e Pedro Barusco, como beneficiário do esquema de corrupção. Foi o sucessor de Nestor Cerveró, atuando na área internacional da Petrobras entre 2008 e 2012.34

Operação Politeia[editar | editar código-fonte]

A Polícia Federal deflagrou em 14 de julho de 2015, uma operação com 53 mandados de busca e apreensão em casas de políticos envolvidos no esquema de corrupção da Petrobras. A operação foi batizada de Politeia, em grego faz referência ao livro "A República de Platão", que descreve uma cidade perfeita onde a ética prevalece sobre a corrupção. As apreensões e busca envolveran os senadores Fernando Collor (PTB-AL), Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE) e Ciro Nogueira (PP-PI), o deputado federal Eduardo da Fonte (PP-PE), além do ex-ministro das Cidades Mário Negromonte (PP-BA) e o ex-deputado federal João Pizzolatti (PP-SC). As apreensões ocorreram nos estados de Alagoas, Bahia, Distrito Federal, Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco e Santa Catarina, em 40 endereços, com participação de 250 policiais federais.35
O senador Fernando Collor (PTB-AL) teve três carros de luxo apreendidos: uma Ferrari, um Porshe e um Lamborghini, que estavam estacionados na Casa da Dinda.36 Ele classificou a operação da Polícia Federal como “invasiva e arbitrária”37 .

Políticos investigados no esquema de desvios[editar | editar código-fonte]

Em 6 de março de 2015, o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a abertura de 28 inquéritos para investigar 47 políticos suspeitos de envolvimento na Petrobras. Na lista estão congressistas, senadores e deputados, supostamente envolvidos com o recebimento de propina da estatal, além de dois operadores do esquema.38 39 40 Para os advogados, "a simples instauração do inquérito" já gera um "constrangimento enorme". "O que não se pode fazer é macular a vida pública do homem de bem, permitindo-se a tramitação de inquérito pela exclusiva menção inespecífica a seu nome, nos moldes do que ocorria na Idade Média, quando, apontada uma bruxa por um vizinho, a fogueira era seu destino sumário", escrevem os advogados.41

NomeCargoPartidoEstado
Renan CalheirosSenadorPMDBAL
Eduardo CunhaDeputado federalPMDBRJ
Fernando Collor de MelloSenadorPTBAL
Lindberg FariasSenadorPTRJ
Cândido VaccarezzaEx-deputado federalPTSP
Gleisi HoffmannSenadoraPTPR
Benedito de LiraSenadorPPAL
Arthur LiraDeputado federalPPAL
José MentorDeputado federalPTSP
Edison LobãoSenadorPMDBMA
Humberto CostaSenadorPTPE
José Otávio GermanoDeputado federalPPRS
João Alberto PizzolatiEx-deputado federalPPSC
Roseana SarneyEx-senadoraPMDBMA
Vander LoubetDeputado federalPTMS
Antonio AnastasiaSenadorPSDBMG
Aníbal GomesDeputado federalPMDBCE
Simão SessimDeputado federalPPRJ
Nelson MeurerDeputado federalPPPR
Roberto TeixeiraEx-deputado federalPPPE
Ciro NogueiraSenadorPPPI
Gladson CameliSenadorPPAC
Aguinaldo RibeiroDeputado federalPPPB
Eduardo da FonteDeputado federalPPPE
Luiz Fernando FariaDeputado federalPPMG
Dilceu SperaficoDeputado federalPPPR
Jerônimo GoergenDeputado federalPPRS
Sandes JúniorDeputado federalPPGO
Afonso HammDeputado federalPPRS
Missionário José OlímpioDeputado federalPPSP
Lázaro BotelhoDeputado federalPPTO
Luis Carlos HeinzeDeputado federalPPRS
Renato MollingDeputado federalPPRS
Roberto BalestraDeputado federalPPGO
Lázaro BrittoDeputado federalPPBA
Waldir MaranhãoDeputado federalPPMA
Mário NegromonteEx-deputado federalPPBA
Pedro CorrêaEx-deputado federalPPPE
Aline CorrêaEx-deputada federalPPSP
André VargasEx-deputado federalPTPR
Carlos MagnoEx-deputado federalPPRO
João LeãoEx-deputado federal e vice-governadorPPBA
Luiz ArgoloEx-deputado federalSDBA
José LinharesEx-deputado federalPPCE
Pedro HenryEx-deputado federalPPMT
Vilson CovattiEx-deputado federalPPRS
Romero JucáSenadorPMDBRR
Valdir RauppSenadorPMDBRO
Fernando PimentelGovernadorPTMG


Sociologia, Ciência Política, Economia, teoria social, marxismo, crise, capitalismo.

domingo, 6 de setembro de 2015

ANT: alternativa dos trabalhadores contra a democracia representativa e farsa eleitoral

A ANT - Associação Nacional dos Trabalhadores, de tendência autogestionária, acaba de ser fundada no Brasil. A ANT se coloca como não sendo um sindicato, partido ou organização burocrática, não sendo uma entidade supostamente "representativa" dos trabalhadores. Ela se coloca como sendo a auto-organização dos trabalhadores revolucionários e autogestionários que busca expressar os interesses do proletariado revolucionário e avançar na luta pela hegemonia proletária.

Veja mais em: http://ant-luta.blogspot.com.br/

sábado, 25 de outubro de 2014

Comparação entre Dilma/Lula/PT e Aécio/FHC/PSDB

Declaração de voto de um intelectual honesto!

Declaração de voto

1) Sarney, Color, Renan, Maluf e Marco Feliciano foram aliados preferenciais do governo tucano e depois passaram a ser aliados preferencias do governo petista. Ambos fazem parte da casta política que foi rechaçada pelas ruas em junho de 2013.
2) JBS, OAS, Andrade Gutierrez, Odebrecht, UTC Engenharia, Ambev, Bradesco e Culturale, que empregam trabalho quase escravo, recebem crédito subsidiado do BNDES, gozam de incentivos fiscais e em alguns casos participam dos esquemas de superfaturamento da Petrobras estão entre as maiores financiadoras da campanha eleitoral de Aécio e de Dilma.
3) Os tucanos entregaram o país às privatizações e ao capital estrangeiro nos anos 90. Mas nos governos do PT essas mesmas empresas estrangeiras seguiram obtendo lucros recordes e metade do orçamento federal seguiu sendo destinado aos 20 mil investidores milionários que detêm títulos da dívida pública
4) O PSDB privatizou os principais recursos públicos do país nos anos 90. Mas o PT privatizou portos, aeroportos, ferrovias, rodovias e a maior reserva de petróleo do país (a bacia de Libra); para além das famosas Parcerias-Público-Privadas (PPPs).
5) Os tucanos não conseguiram esconder o mensalão de Minas Gerais e o superfaturamento no sistema metro-ferroviário de São Paulo. Mas os petistas não conseguiram esconder o mensalão de Brasília e o superfaturamento na Petrobras.
6) O PSDB sempre teve uma política externa subserviente aos Estados Unidos e à Europa. Mas o PT coloca as tropas brasileiras no Haiti para que as empreiteiras brasileiras possam participar do botim da “reconstrução”; e os empresários amigos do governo brasileiro vão explorar os países africanos e os vizinhos mais pobres da América do Sul.
7) O PSDB nunca apurou as torturas e assassinatos da ditadura. Mas foi o PT quem fez um pacto com os militares para garantir por lei que os responsáveis pelos assassinatos e torturas da ditadura militar não possam ser punidos.
8) Os tucanos implementaram reformas neoliberais que retiraram direitos dos aposentados e do trabalhador nos anos 90. Mas foi Lula que em 2003 terminou de implementar a reforma da previdência e a flexibilização dos direitos trabalhistas nas pequenas e médias empresas através do Supersimples em 2006. Foi o PT que estimulou a flexibilização dos direitos em acordos diretos entre patrões e sindicatos frente à crise de 2009. E é a Dilma quem propõe uma lei federal que generaliza e aprofunda o sistema de suspensão dos contrários de trabalho conhecido como lay-off.
9) No governo tucano dos anos 90 existia mais desemprego do que existe hoje. Mas a maior parte dos empregos criados são precários. Essas serão as primeiras vítimas frente a novas crises. E já se sente o aumento do desemprego em alguns ramos da indústria.
10) Os pobres hoje são menos pobres do que eram na era FHC. Mas os ricos também são mais ricos do que naquela época, sendo que a riqueza dos ricos (com lucros recordes dos empresários) cresceu em proporções maiores do que a melhoria de vida dos pobres. Os indicadores sobre redução da desigualdade social difundidos pelo PT são falsos na medida em que se baseia nas pesquisas domiciliares do IBGE, nas quais os ricos omitem a totalidade de seus rendimentos.
11) O salário mínimo durante os governos petistas aumentou mais que durante os governos tucanos. Mas ele segue sendo R$ 724,00, enquanto o salário mínimo necessário de acordo com os preceitos constitucionais, segundo os cálculos do Dieese, deveria ser de R$ 2.862,73.
12) Nos governos do PT, através das cotas para negros, mais negros entraram na universidade. Mas a maioria esmagadora dos negros segue sem ter acesso ao ensino superior, e muitas vezes sem concluir nem mesmo o ensino básico.
13) Os governos do PSDB sempre negaram os direitos democráticos elementares como a legalização do aborto seguro e gratuito ou a criminalização da homofobia. Mas o PT não só fez o mesmo, como fortaleceu o peso das bancadas evangélicas que defendem posições reacionárias nessas questões, chegando a colocar um reacionário recalcitrante como Marco Feliciano para presidir a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados.
14) Se em tempos de vacas gordas os patrões aumentaram seus lucros em proporções maiores do que os trabalhadores e o povo melhoraram de vida, nos tempos de vacas magras que se avizinham tanto petistas como tucanos vão priorizar a preservação dos lucros patronais em detrimento das condições de vida da classe trabalhadora.
15) Na medida em que se agravem as tendências recessivas da economia, seja com PT ou PSDB, devemos nos preparar para mais desemprego, mais inflação, aumento de tarifas, cortes nos gastos sociais, privatizações e retiradas de direitos.
16) Tanto Dilma como Aécio vão se opor à realização das demandas por mais direitos sociais que emergiu das manifestações de junho de 2013. Apesar da demagogia de “mudança” que ambos tentam fazer, o projeto político que representam, baseado nas grades empresas e no capital estrangeiro, entra em choque com aquelas demandas.
17) Precisamos apostar no caminho de junho para defender nossas conquistas e lutar por nossas demandas, o caminho da mobilização independente dos trabalhadores e da juventude.
18) O voto útil no mal menor está associado a uma postura de passividade diante da vida e dos problemas do país. Essa passividade está baseada na ilusão de um período de crescimento econômico que ficou para trás. Ela somente nos trará retrocessos e derrotas, pois os que estão no poder nunca são passivos. Pelo contrário, são bastante ativos, ainda mais num momento em que veem seus lucros e privilégios ameaçados.
19) Quanto mais votos tiver qualquer um dos dois candidatos eleitos, mais legitimidade terá para implementar medidas o novo governo. Quanto menos votos tiver o novo presidente, mais frágil estará para defender os interesses dos patrões, e em melhores condições estaremos para travar os combates em defesa do que já temos conquistado e por daquilo que merecemos conquistar. Por isso é necessário votar nulo.

Gilson Dantas 

http://revolucio2080.blogspot.com.br/2014/10/declaracao-de-voto-de-um-intelectual.html

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

O Banco Mundial e as Origens do Bolsa Família


As mentiras eleitorais são contadas e recontadas até que passam a ser consideradas verdades, apesar de que, em momentos de acirramento da competição eleitoral, fica existindo duas verdades, das duas partes em disputa. O Bolsa Família virou palco de disputa dos partidos, todos querendo a paternidade. PT e PSDB. O primeiro diz que é dele a ideia e o programa e o segundo diz que ele apenas retoma a unifica diversos programas já existentes nos seus governos anteriores. A verdade é outra. As origens do bolsa família estão no Banco Mundial, com suas políticas neoliberais, reproduzidas tanto pelo partido da "socialdemocracia" brasileira, que não tem nada de socialdemocrata, quanto do partido dos "trabalhadores", que não tem mais nada a ver com trabalhadores. Não deixa de ser curioso a miséria eleitoral desse ano, pois os candidatos querem, no máximo, manter o bolsa família e "melhorá-lo", ou seja, ser um neoliberal mais competente ou popular. O texto abaixo comenta, embora com alguns pontos problemáticos, a verdadeira origem do Bolsa Família:

Nem Lula nem FHC – saiba quem inventou o Bolsa Família


Demetrio Magnoli


Conceitualmente, O Bolsa Família não nasceu com Lula, nem com FHC, mas no laboratório político do Banco Mundial. O “objetivo abrangente” de redução da pobreza, proclamado em 1991 por Lewis Preston, presidente do banco, seria alcançado por meio de políticas focadas de transferência de renda. Era uma resposta estratégica ao pensamento de esquerda, concentrado em reformas sociais, e um programa de ação para o ciclo aberto pela queda do Muro de Berlim. FHC a adotou sem o entusiasmo dos conservadores, encarando-a como um emplastro civilizatório que não substituiria iniciativas fortes do Estado nas esferas da educação e da saúde. Lula não só a abraçou como serviu-se dela para ancorar eleitoralmente seu sistema de poder.

Quando Lula fulminou o Bolsa Escola com o epíteto de “bolsa esmola”, operava no registro tradicional do pensamento de esquerda. Na hora da chegada ao poder, sob a inspiração de José Graziano da Silva, perseverou naquele registro e lançou o Fome Zero, que não era um programa de transferência de renda. Graziano analisara de modo realista os rumos da formação do complexo capitalista do agronegócio, em duas obras significativas, publicadas na década de 1980, mas sonhava com o florescimento de uma agricultura familiar autônoma. No esquema do Fome Zero, sob o amparo estatal, pequenos produtores locais forneceriam os alimentos para a mesa dos pobres. O Bolsa Família surgiu dos escombros do Fome Zero.

O experimento utópico do Fome Zero nem decolou. No início, seus escassos críticos sofreram o bombardeio ideológico de acadêmicos de esquerda encantados com o lulismo. Contudo, depois de 388 dias de inércia, Lula demitiu Graziano do Ministério Extraordinário e promoveu o giro pragmático que conduziria à unificação dos programas de transferência de renda de FHC (a “bolsa esmola”) no Bolsa Família. Naquele momento, cessaram as resistências de esquerda à estratégia conservadora de combate à pobreza e, no lugar delas, emergiu o coro dos contentes, a proclamar a aurora de uma nova era.

Lula descobriu uma virtude político-eleitoral da expansão das transferências diretas de renda: o impulso ao consumo popular (de material de construção, eletrodomésticos e celulares) propiciava-lhe a chance de congelar a agenda de reformas na educação e na saúde públicas. O Bolsa Família tornou-se o núcleo de um conjunto de políticas focadas que abrangem, notadamente, o crédito consignado e as bolsas do ProUni. Nas eleições, o espectro da supressão dos benefícios monetários passaria a figurar como linha de ataque permanente do PT contra qualquer adversário. Simplificado ao extremo, o tema tão decisivo do combate à pobreza convertia-se em monopólio de um partido.

Os tucanos sentiram o golpe, girando em círculos à procura de uma resposta. Desorientados, chegaram a ensaiar, nos piores momentos, a reprodução da primitiva réplica original de Lula. O prumo começou a ser reencontrado por Aécio Neves, que anunciou o compromisso de entalhar o programa na pedra da lei, fazendo-o “política de Estado, não de governo”. Transferir o Bolsa Família do campo minado da disputa partidária para o das políticas públicas nacionais será um passo adiante, do ponto de vista da disputa eleitoral democrática. Mas, do ponto de vista conceitual, ainda estaríamos atrás do patamar atingido no governo FHC.

“Vemos as filhas do Bolsa Família transformarem-se nas mães do Bolsa Família”, alertou Eduardo Campos meses antes de sua morte trágica, para indagar: “Queremos vê-las transformando-se em avós do Bolsa Família?”. O círculo da pobreza e da dependência não pode atravessar gerações, sob pena de darmos razão ao Lula ancestral que clamava contra o “bolsa esmola”. Já é tempo de avançar além da receita do Banco Mundial, rumo à qualificação dos direitos sociais universais. A bolsa não é a vida.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

As Lutas Sociais no Brasil Atual



AS LUTAS SOCIAIS NO BRASIL ATUAL

           
“Em breve, a bruxa petista poderá voar em sua vassoura estrelada e derramar a poção mágica sobre as cabeças de todos os esfomeados e miseráveis do Brasil e assim seremos todos felizes sob o capitalismo humanizado do PT.”
"Descobrimos, assim, que o capitalismo é um mal que, ao mesmo tempo, é o seu próprio remédio e que os “médicos petistas” vivem, da eterna reprodução da doença e da sua “cura”. Esta é apenas mais uma faceta do neopopulismo petista".

            A sociedade brasileira vem sendo palco de uma crescente onda de violência institucional sobre as camadas desfavorecidas da população.  A “violência” passa a ser o tema da “moda” tanto nos meios acadêmicos quanto nos meios de comunicação de massas. Cabe à classe dominante e seus ideólogos deturparem tudo: elaboram um conjunto de ideias que possuem como características fundamentais trocar a análise do processo pela reificação do efeito e por observar somente o que é manifesto e nunca o que está latente. Assim, o extermínio de meninos de ruas e o massacre de índios se tornam efeitos reificados, ou seja, esquece-se do seu processo de produção; das suas causas, e assim a solução do problema fica fácil: coloquemos os meninos de rua na escola (O “gênio” que propôs isto foi o governador Brizola) e demarquemos as terras indígenas! O fato de que continuará havendo a produção de meninos de rua e de garimpeiros com vontade e necessidade de invadir terras indígenas é esquecido. Lembrá-lo, obviamente, nos levaria longe demais e os guardiões do templo do capitalismo não hesitariam em nos acusar de “dogmáticos”, “esquerdistas” e “agitadores”. O outro fato, não tão visível, é que o extermínio de índios e meninos de rua não começou hoje e que a violência manifesta se torna tema polêmico no mass média enquanto que a violência latente e/ou subterrânea contra os pobres, a mulher, os trabalhadores sem-terra, os estudantes, etc. não são “vistos” pela nossa “democrática” imprensa. A única “violência” que aparece é a violência física (ou melhor, parte dela) e não a violência simbólica, econômica, política, social, entre outras. Para nós, a violência, seja ela qual for, só pode ser compreendida num contexto universal e perpassando o conjunto das contradições sociais e é neste sentido que vamos analisar a violência no Brasil.·.
            Segundo dados de 1992, no campo brasileiro existe uma população rural que expressa, aproximadamente, trinta por cento da população brasileira. A violência no campo atinge milhares de pessoas e envolve não apenas índios e garimpeiros, mas também camponeses, grileiros, latifundiários, seringueiros, etc. As lutas sociais no campo tem, no final das contas, um sentido único: LUTA PELA TERRA. A estrutura agrária brasileira está voltada para a produção com base na monocultura visando a exportação e convivendo com uma enorme quantidade de terras improdutivas que esperam sua valorização. A produção voltada para a exportação, além da destruição do meio ambiente, aumenta o preço dos produtos no mercado interno (atingindo assim a população urbana) e reforça a concentração de terras, criando a miséria e a fome dos camponeses e outros trabalhadores rurais. As terras improdutivas reforçam isto e os únicos que se beneficiam com elas são os seus proprietários. Por conseguinte, a única forma de se resolver esta questão é transformar as relações de propriedade no campo, ou seja, realizar uma REVOLUÇÃO AGRÁRIA. A coletivização das terras e a autogestão nas unidades de produção são necessárias tanto para resolver os problemas ambientais (fim da monocultura, utilização de tecnologias alternativas, etc.) quanto para resolver os problemas sociais (produção voltada para o mercado interno, fim do desemprego, fome, miséria no campo, fim dos conflitos entre setores explorados no campo, etc.) e, além disso, servem como ponto de partida para abolir a oposição entre cidade e campo, com a desurbanização da cidade e a desruralização do campo. Neste sentido, as lutas camponesas e de outros setores explorados no campo ganham uma importância estratégica para o movimento socialista libertário.
            As lutas sociais no campo devem ser articuladas com as lutas urbanas. Estas assumem uma complexidade e variedade enormes. Elas se referem desde a questão da moradia até a questão da administração municipal, passando pela questão do transporte coletivo, das condições de saneamento, entre outras. As lutas urbanas são, essencialmente, lutas contra a divisão capitalista do espaço e, consequentemente, luta pela autogestão do espaço urbano. A passagem de uma para a outra só pode ocorrer com uma revolução urbana.
            A divisão capitalista do espaço apresenta-se como uma extensão das relações de produção capitalistas e tem como um de seus fundamentos a propriedade privada do solo urbano. São as grandes empresas e os grandes proprietários que, com o seu poder econômico, determinam a forma de divisão do espaço. Esta divisão serve para atender os seus interesses econômicos e os “benefícios urbanos” que as administrações municipais fornecem são dirigidos para aqueles que possuem o “poder profano do dinheiro”, embora este, há muito tempo, tenha se tornado “sagrado” para as prefeituras, inclusive as “ditas” de esquerda.
            Trata-se, portanto, de exigir o uso social do solo urbano e assim combater a especulação imobiliária e os privilégios da classe dominante. A LUTA PELA MORADIA deve ter como ponto básico de seu programa o lema “casa para todos significa que cada um deve ter a sua casa e que NINGUÉM deve ter duas ou mais casas” e com isso se questiona a propriedade burguesa e seu caráter antissocial. As outras formas de lutas urbanas devem saber postular a revolução urbana juntamente com propostas que facilitem a sua concretização.
            As lutas sociais no Brasil também são travadas envolvendo o movimento das mulheres, o movimento ecológico, o movimento pela saúde coletiva, o movimento negro, o movimento estudantil e outros. Todos seguem sua dinâmica própria e, quando se radicalizam, colocam em questão aspectos da sociedade capitalista. Entretanto, estes movimentos, juntamente com os movimentos sociais urbanos e rurais, não podem revolucionar a sociedade isoladamente. Por isso, torna-se necessário a sua articulação com o movimento operário. É através da união destes movimentos com o movimento revolucionário do proletariado que se pode construir um “bloco revolucionário” e assim adquirir uma força política de peso no cenário nacional e elevar o nível da luta revolucionária.
            Isto abre perspectivas para apresentar propostas alternativas nas questões polêmicas de repercussão nacional e desmascarar a ideologia dominante. Tal é o que ocorre, por exemplo, com a campanha contra a fome e a miséria, outra reificação de efeitos. Embora a fome e a miséria tenham chegado ao Brasil desde que as caravelas portuguesas aqui chegaram, só agora o sociólogo Herbert de Souza e o Partido dos Trabalhadores a perceberam. Qualquer cristão sabe que a árvore do conhecimento existe desde que Deus criou o mundo, mas somente agora os filantropos pequeno-burgueses da sociologia e do PT tiveram acesso a ela. Entretanto, a covardia pequeno-burguesa nunca permite todo o conhecimento, pois apenas parte dele pode ascender à consciência. Assim, conhecemos os efeitos e desconhecemos as CAUSAS. Disso resulta que devemos combater a fome e a miséria como se fossem “dados” (até um sociólogo positivista e direitista como Robert Merton sabe que “os dados não são dados, são construídos”) e por isso a produção da fome e da miséria é “esquecida” e a solução do problema se encontra na “caridade”.
            Marx criticou alguns dos “Socialistas Românticos” por eles serem filantropos pequeno-burgueses. Estes consideravam a classe trabalhadora como uma “classe miserável” incapaz de se libertar por si mesma. A solução, segundo eles, seria elevar o nível da sua consciência, através da “educação” e da “razão” (que se tornaram hoje novas formas de dominação) para assim acabar com os males do capitalismo e implantar o socialismo. Hoje, os filantropos pequeno-burgueses da sociologia e do PT querem acabar com os males do capitalismo sem acabar com o capitalismo. Ou seja: A filantropia pequeno-burguesa anda para trás. Eles não combatem a produção capitalista da fome e da miséria, mas apenas a fome e a miséria já constituídas. A doação de alimentos não perecíveis pode deixar muitos pequeno-burgueses com a “consciência tranquila”. Como se resolverá o problema da fome? Um pouco de caridade, uma pitada de reforma agrária, uma colher de distribuição de renda, uma dose de “alimentos não perecíveis” e pronto, o caldeirão da bruxa já possui todos os ingredientes necessários para preparar a poção mágica que acabará com a fome e a miséria. Basta remexer tudo e colocar no fogo e logo estará pronto. Em breve, a bruxa petista poderá voar em sua vassoura estrelada e derramar a poção mágica sobre as cabeças de todos os esfomeados e miseráveis do Brasil e assim seremos todos felizes sob o capitalismo humanizado do PT.  Descobrimos, assim, que o capitalismo é um mal que, ao mesmo tempo, é o seu próprio remédio e que os “médicos petistas” vivem, da eterna reprodução da doença e da sua “cura”. Esta é apenas mais uma faceta do neopopulismo petista.

            A formação de um BLOCO REVOLUCIONÁRIO é hoje necessária para combater tanto a direita quanto o bloco reformista, comandado pelo PT, que se revela um “direitismo esclarecido”. O aumento da violência institucional contra as classes exploradas poderá servir como “detonador” do processo revolucionário ou de um “ensaio geral” e cabe aos militantes socialistas buscarem criar condições favoráveis para a vitória do proletariado no seu enfrentamento com o capital e o estado capitalista. Portanto, já sabemos o que devemos fazer.


Editorial da Revista Ruptura, publicação do Movimento Conselhista. Ano 1, Nº 02, Outubro de 1993.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

A Revolução não é uma Tarefa de Partido - Otto Rühle

A Revolução não é uma Tarefa de Partido

Otto Rühle

I
O parlamentarismo apareceu com a dominação da burguesia.
Com os parlamentos apareceram os partidos políticos.
A época burguesa encontrou nos parlamentos a arena histórica das suas primeiras disputas com a coroa e a nobreza. Organizou-se politicamente e deu à legislação uma forma correspondente às necessidades do capitalismo. Mas o capitalismo não é homogêneo. As diversas camadas e os diversos grupos de interesse no interior da burguesia fizeram valer cada um as suas reivindicações de natureza diferente. Foi para levar a cabo estas reivindicações que nasceram os partidos que enviavam os seus representantes e atores aos parlamentos. O parlamento transformou-se assim num Fórum, lugar de todas as lutas, primeiro pelo poder econômico, político e legislativo, depois no quadro do sistema parlamentar, também pelo poder governamental. Porém as lutas parlamentares, tal como as lutas entre partidos, não passam de combates de paliavas. Programas, polêmicas jornalísticas, panfletos relatórios para as reuniões, resoluções, discursos parlamentares, decisões - só palavras. O parlamento degenerou em salão de tagarelices (cada vez mais à medida que o tempo passava), apesar de, desde o primeiro dia, os partidos não passarem de simples máquinas de preparar eleições. Não é por acaso que se declaravam inicialmente "uniões eleitorais".
Burguesia, parlamentarismo, partidos políticos condicionam-se mutuamente. Cada um é necessário ao outro. Marcam a fisionomia política do sistema burguês, da época capitalista-burguesa.
II
A Revolução de 1848 foi travada desde o início. Porém, o ideal da era burguesa, a república democrática, foi erigido.
A burguesia, impotente e cobarde por natureza, arreou a bandeira perante a coroa e a nobreza, contentou-se com o direito de explorar economicamente as massas e reduziu o parlamentarismo a uma paródia.
Resultou então daí o dever para a classe operária de enviar representantes seus ao parlamento. Estes retomaram as reivindicações democráticas das mãos pérfidas da burguesia. Fizeram-lhes uma enérgica propaganda, tentaram inscrevê-las na legislação. A social-democracia atribui-se com esta finalidade um programa mínimo. Um programa de reivindicações actuais e práticas, adaptadas à época burguesa. A sua ação no parlamento estava determinada por este programa. Dominada pela preocupação de obter para a classe operária, e para a sua atividade política, as vantagens de um campo de manobra legal, construindo e acabando a democracia formal burguesa-liberal.
Quando Wilhelm Liebknecht propôs o abstencionismo [1], tratava-se de um desconhecimento da situação histórica. Se a social-democracia queria ser eficaz como partido político, devia entrar no parlamento. Não havia nesse caso nenhuma outra possibilidade de agir e de se fazer valer politicamente.
Quando os sindicatos se desviaram do parlamentarismo e pregaram o antiparlamentarismo, faziam honra à sua apreciação sobre a vaidade e a corrupção crescente da prática parlamentar. Mas, na prática, exigiam da  social-democracia qualquer coisa de impossível. Exigiam que se tomasse uma decisão que ia ao encontro da necessidade histórica, que a social-democracia renunciasse a si própria. Esta não podia adoptar tal ponto de vista. Devia ir ao parlamento porque era um partido político.
III
Também o K.P.D. [1] se tornou um partido político. Um partido no sentido histórico, como os partidos burgueses, como o S.P.D. [2] e o U.S.P.D.[3].
Os chefes têm a palavra em primeiro lugar. Falam, prometem, seduzem, comandam. As massas quando estão presentes, encontram-se perante um facto consumado. Têm de pôr-se em formação e marchar alinhados. Têm de acreditar, calar-se e pagar. Têm de receber ordens e instruções e executá-las. Têm de votar.

Os chefes querem entrar no parlamento. Têm só que se apresentar às eleições. Depois do que, mantendo-se as massas numa submissão muda e numa passividade devota, são os chefes que fazem alta política no parlamento.
Também o K.P.D. se tornou um partido político.

Também o K.P.D. quer chegar ao parlamento.
A central do K.P.D. mente quando diz às massas que só pretende entrar no parlamento para o destruir.
Mente quando garante que não quer levar a cabo no parlamento nenhum trabalho positivo.
Não destruirá o parlamento, não pretende faze-lo nem pode. Fará um "trabalho positivo" no parlamento, a isso é obrigada e assim o quer. Vive disso.
O K.P.D. tornou-se um partido parlamentar como os outros. Um partido do compromisso, do oportunismo da crítica e da luta oratória.
Um partido que deixou de ser revolucionário.
IV
Observai-o.
Aparece no parlamento. Reconhece os sindicatos. Inclina-se perante a constituição democrática. Faz as pazes com o poder reinante. Coloca-se no terreno das relações das forças reais. Toma parte na obra da restauração nacional e capitalista.
O que o diferencia do U.S.P.D.? Critica em vez de negar. Faz oposição em vez de revolução. Faz comércio em vez de agir. Tagarela em vez de lutar. É por isso que deixa de ser uma organização revolucionária.
Torna-se um partido social-democrata. Só nuances o distinguem dos Scheidemann e dos Daumig. É o avatar do U.S.P.D. Virá a ser em breve um partido do governo, com o de Schidemann e o de Daumig. E será o seu fim.
V
Resta uma consolação às massas: há sempre uma oposição. Esta oposição não toma de início posição pela contra-revolução. Que podia fazer? Que faz? Reuniu-se, uniu-se numa organização política. Seria necessário?
Os elementos mais maduros politicamente, os mais activos de um ponto de vista revolucionário têm o dever de formar a falange da revolução. Só podiam cumprir esse dever sob a forma de falange, isto é, de formação fechada. São a elite do proletariado revolucionário. Pelo caracter fechado da sua organização, reforçam-se e adquirem uma profundidade de discernimento cada vez maior. Manifestam-se enquanto vanguarda do proletariado, como vontade de acção face a indivíduos hesitantes e confusos. No momento decisivo formam o centro magnético de toda a actividade. São uma organização política.
Mas não são um partido político.
Não um partido no sentido tradicional.
A sigla de Partido Comunista Operário (K.A.P.D.) [4] é o último vestígio exterior - em breve supérflua- de uma tradição que um simples passar de esponja infelizmente não chega para resgatar de uma ideologia política de massas, ainda à pouco tempo viva, mas hoje já ultrapassada.
Também este vestígio será apagado.
A organização das primeiras fileiras comunistas da revolução não deve ser um partido habitual, sob risco de morte, sob risco de reproduzir a sorte que coube ao K.P.D.
A época da fundação de partidos passou, porque passou a época dos partidos políticos em geral.
O K.P.D. é o último partido. A sua bancarrota é a mais vergonhosa, o seu fim o mais desprovido de dignidade e de glória.. Mas o que será feito da oposição? O que será feito da Revolução?
VI
A revolução não é uma tarefa de partido. Os três partidos social-democratas têm a loucura de considerar a revolução como tarefa sua, própria de partido e de proclamar como seu objectivo partidário a vitória da revolução.
A revolução é tarefa política e económica da totalidade da classe proletária.
Só o proletariado enquanto classe pode levar a revolução à vitória.
Tudo o resto é superstição, demagogia, charlatanismo político.
Trata-se é de conceber o proletariado como classe e de desencadear a sua actividade para a luta revolucionária, na mais larga base e no mais vasto quadro.
É por isso que todos os proletários prontos para o combate revolucionário, não importa a proveniência nem a base sob a qual se recrutam, devem ser reunidos nos ateliers e nas empresas em organizações revolucionárias de empresa e no quadro da A.A.U. (União Geral dos Trabalhadores).
A União Geral dos Trabalhadores não é uma salada, nem uma formação fortuita. É o reagrupamento de todos os elementos proletários, prontos para uma actividade revolucionária, que se declaram a favor da luta de classe pelo sistema dos conselhos e pela ditadura do proletariado.
É o exército revolucionário do proletariado.
Esta União Geral dos Trabalhadores enraíza-se nas empresas e edifica-se a partir dos ramos das indústrias, de baixo para cima, federativamente na base e organizada no topo por meio de homens de confiança revolucionários. Desenvolve-se de baixo para cima a partir das massas operárias. Cresce em conformidade com elas: é a carne e o sangue do proletariado; a força que lhe dá impulso, é a acção das massas, sua alma e sopro incandescente da revolução.
Não é uma criação de chefes. Não é uma construção subtilmente cozinhada. Não é um partido político com tagarelice parlamentar e bonzos pagos. Também não é um sindicato.
É o proletariado revolucionário.
VII
Que há de fazer o K.A.P.D? Criará organizações revolucionárias de empresa. Propagará a União Geral dos Trabalhadores.
Trabalhando de empresa em empresa, de ramo industrial em ramo industrial, formará os quadros das massas revolucionárias. Formá-los-á para o assalto, consolidá-los-á e dar-lhes-á forças para o combate decisivo, até que toda a resistência do capitalismo, prestes a desabar, possa ser vencida.
Insuflará às massas combatentes a confiança da sua própria força, garantia de qualquer vitória na medida em que esta confiança os libertará dos chefes ambiciosos e traidores.
E a partir da União Geral dos Trabalhadores começando nas empresas, estendendo-se pelas regiões económicas e finalmente por todo o país, desenvolver-se-á vigorosamente o movimento comunista.
O novo "partido" comunista, que já não é um partido. Mas que é - pela primeira vez- comunista.
Coração e cabeça da revolução.
VIII
Representemos o processo de maneira concreta. Há 200 homens numa empresa. Uma parte deles pertence à A.A.U. e faz-lhe propaganda, inicialmente sem sucesso. Porém o primeiro combate, no qual os sindicatos naturalmente, cedem, rompe os antigos laços. Imediatamente 100 homens passam para a União. Há entre eles 20 comunistas, sendo o resto composto por pessoas do U.S.P.D., por sindicalistas e desorganizados. No início, o U.S.P.D. inspira maior confiança. A sua política domina a táctica dos combates na empresa. No entanto, lenta mas seguramente, a política do U.S.P.D. revela-se falsa, não revolucionária. A confiança dos trabalhadores no U.S.P.D. atenua-se. A política dos comunistas afirma-se. De 20 os comunistas passam a 50, depois a 100 e mais, em breve o grupo comunista domina politicamente a totalidade da empresa, determina a táctica da União, domina nos combates com objectivo revolucionário. Será assim em pequenas ou grandes proporções. A política comunista implantar-se-á de empresa em empresa, de região económica em região económica. Realizar-se-á, ganhará o comando, tornar-se-á corpo, cabeça e ideia directriz.
É a partir das células dos grupos comunistas nas empresas, a partir dos sectores comunistas de massa nas regiões económicas que se constitui - na edificação do sistema dos conselhos - o novo movimento comunista.
E então? Uma "revolucionarização" dos sindicatos, uma "restruturação"? Quanto tempo durará o processo? Anos? Dezenas de anos? De modo nenhum.
O objectivo não é o de demolir, de destruir o colosso de argila das centrais sindicais com os seus 7 milhões de membros, para os reconstruir depois sob outra forma.
O objectivo é a conquista dos comandos nas empresas preponderantes para a indústria, para o processo de produção social, e desse modo para conquistar poder de decisão no combate revolucionário. Apoderar-se do dispositivo que pode derrotar o capitalismo em ramos e regiões industriais inteiros.
Nestas circunstâncias é isto que a disponibilidade resoluta para a acção de uma organização única pode conseguir mais eficazmente que uma greve geral.
É assim que o David da empresa abate o Golias da burocracia sindical.
IX
O K.P.D. deixou de encarnar o movimento comunista na Alemanha. Bem pode reclamar-se ruidosamente de Marx, Lenine e Radek! Não passa de último membro da frente única da contra-revolução. Em breve se apresentará em perfeito acordo com o S.P.D. e o U.S.P.D., no quadro de uma frente única para um Governo operário "puramente socialista". A promessa de uma "oposição legal" aos partidos assassinos que traíram os operários é uma etapa desse processo.
Renunciar a exterminar de forma revolucionária os Erbert e os Kautsky (consultar Die Rote Fahne (9) de 21 de Março de 1920), é já aliar-se a eles.
A última fase do capitalismo na sua agonia.
O último "socorro político" da burguesia alemã.
O fim.
O fim dos próprios partidos, da política de partido, do logro dos partidos, da traição dos partidos.
É o novo começo do movimento comunista.
O Partido Comunista Operário.
As organizações de empresas revolucionárias, reagrupadas na União Geral dos Trabalhadores.
Os conselhos revolucionários.
O congresso dos conselhos revolucionário.
O governo dos conselhos revolucionários.

A ditadura comunista dos conselhos.

Notas:
[1] Em 1875, Liebknecht propôs o abstencionismo, contrariamente a Marx e Engels.
[1] KPD. - Kommunistische Partei Deutschlands - Partido Comunista da Alemanha, fundado em Dezembro de 1918.
[2] SPD. - Sozialdemokratische Partei Deutschlands - Partido Social-Democrata Alemão, fundado em 23 de maio de 1863.
[3] USPD. - Unabhängige Sozialdemokratische Partei Deutschlands - Partido Social Democrata Independente da Alemanha, fundado em 6 de abril de 1917.

[4] KAPD. - Kommunistischen Arbeiter-Partei Deutschlands - Partido Comunista Operario da Alemanha, fundado em abril de 1920 em Heidelberg a partir da cisão do KPD